As sementes da flexibilidade I

maio 8, 2008 – 8:24 pm
Por kuinzytao

Há normas e regras rígidas em tudo o que é oficial. Sabe-se que sua existência pretende a conservação da sociedade estabelecida. Nesse modelo, em geral, não há válvula de escape. Nada deve colocar em risco o poder estabelecido. Surrealismo - Magritte

Ora, ora… Um ambiente fechado sob pressão tenderá a explosão, todos sabemos. No entanto, pactuamos com as regras gerais, com os padrões, mesmo que se perca um pouco de identidade, um pouco de flexibilidade, um pouco ou muito de liberdade. Claro que temos uma consciência a zelar e para ela também temos uma resposta dentro das normas: “É para o bem comum.” Bem comum, pressupõe-se o bem da comunidade. Um funcionamento mais-que-perfeito, tanto que, pode parecer uma unidade. Será que nossos sensores ratificam tranqüilamente essa afirmação?

Em um modelo semelhante ao descrito acima nasce o movimento surrealista
Em busca de flexibilidade no modo de escrever, nas expressões artísticas, nas relações pessoais e sociais. No surrealismo o pensamento e a arte não podem, de maneira alguma, ser considerados ameaças a uma sociedade e sim expressões de sua vivência.

No primeiro manifesto de Surrealismo em 1924, André Breton declara que o novo princípio determinador do movimento era o “automatismo psíquico”, que queria dizer:

a liberdade do pensamento de “qualquer controle exercido pela razão, isento de qualquer preocupação moral ou estética”.

O surrealismo “é baseado na crença na realidade superior de certas formas de associação previamente negligenciadas, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do pensamento.” E mais adiante: “acredito na futura resolução desses dois estados, sonho e realidade, que aparentemente são tão contraditórios, em um tipo de realidade absoluta, uma surrealidade (sur = “sobre”, “acima” em francês).”

Mais do que um mero admirador de Freud, Breton acreditava que a psicanálise poderia ser usada não só para tratar enfermidades mentais, mas para transformar a vida de uma maneira geral. Esta interpretação radical de Freud é um dos principais temas do primeiro manifesto surrealista: “Se as profundezas de nossa mente contêm estranhas forças capazes de aumentar as forças que estão na superfície, ou de travar uma batalha vitoriosa contra elas, há todo interesse em procurá-las… Não se poderia usar também o sonho na solução das questões fundamentais da vida?”

Um convite a espontaneidade. Um movimento em que a musa inspiradora era a mulher. Libertar-se do extremo racionalismo dominante, das linhas retas, dos conceitos da época, de certo e errado. Os surrealistas esperavam que as pessoas voltassem a experimentar, e não só repetir fórmulas prontas, verdades determinadas por uma elite dominante, irrefletidamente.

A união criativa do consciente com o inconsciente é o que se costuma chamar de “inspiração”. (Trotsky)

O sonho, considerado agora, não mais um sintoma de doença e sim uma de nossas melhores capacidades. A liberdade de imaginar, fantasiar, criar.

Referências:
Breton, Manifesto Surrealista 1924
Leon Trotsky, My Life: An Attempt at an Autobiography
Site, http://www.wsws.org/pt/2007/mar2007/port-m17.shml
Imagens: http://picasaweb.google.com/arte4fun/ReneMagritte

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2 comentários


  1. **Mania do Miojo** em  18 mai 2008 às 3:06 pm, disse:

    Que legal =D
    Faz tempo que não sonho =/…ouuu sonho e não lembro >.<

    “A união criativa do consciente com o inconsciente é o que se costuma chamar de “inspiração”. (Trotsky)”

    Lindo!
    É gostoso ser surrealista de vez em quando =]
    Gostei do texto kuinzytao ^^


  2. kuinzytao em  23 mai 2008 às 6:38 pm, disse:

    :D Que bom, você gostou \o/



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