17 de maio de 2012

Destaques:

Contos Essenciais: Um túmulo para Boris Davidovitch (Danilo Kiš)

É comum dividir a literatura em duas partes, bastante distintas e distantes entre si: a ficção e a… [more]

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Ana Cristina Cesar

Nosso país nunca me pareceu um campo exatamente bom para a poesia. Eu tinha uma visão de que existiam… [more]

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10 perguntas e meia para Juan Pablo Villalobos

Juan Pablo Villalobos nasceu em 1973, em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. É autor… [more]

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Especial Alan Moore

Confira aqui o que foi publicado no Especial Alan Moore. Para ler, basta clicar nas capas das obras abaixo.… [more]

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Anos-Luz Depois – Lesão por pensamento repetitivo

Love, love will tear us apart, again. Já perdi a conta de quantas vezes o meu inconsciente (que daqui pra frente chamarei de Agatha) estava caminhando pelo quarto do meu cérebro, andando de lá pra cá, assim meio entediado, despreocupado e descompromissado, e resolveu ligar o som para ouvir essa música repetidas vezes. Toda vez que ela faz isso, eu passo o dia cantarolando esse refrão, mentalmente ou em pequenos sussurros. O mesmo se repete com outras músicas, frases de filmes, trechos impactantes de livros e frases sem sentido.

O nome Agatha surgiu recentemente. Comecei a assinar alguns bilhetes com esse quase alter-ego, assim como passei a chamar meu roommate por esse nome, assim, sem motivo algum. Mas Agatha é só a personificação dessa forma de pensamento interior, que me acompanha desde que eu nasci. Todos temos uma Agatha dentro de nós, só muda o nome ou a forma de chamá-la. De alguma forma, ela está ligada à minha personalidade, ajudando a definir as coisas que eu gosto e o que me marca.

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Por isso a gente acabou (Daniel Handler)

Na capa de Por isso a gente acabou tem um selinho que diz “Daniel Handler é Lemony Snicket, o autor das Desventuras em Série“. Ao contrário de muita gente eu ainda não li Desventuras em Série, então no final das contas a questão do nome do autor não pesou no meu interesse pelo livro – Handler, Snicket, tanto faz. Mas ao ler a sinopse, fiquei morrendo de vontade e curiosidade de ler Por isso a gente acabou. A história é na realidade uma carta que Min está escrevendo para o ex-namorado Ed, para entregar junto com uma caixa cheia de objetos que representaram algo para ela no tempo em que estiveram juntos. “Vou largar essa caixa na sua varanda, Ed, mas é você, Ed, quem está sendo largado“.

A identificação com a situação foi instantânea, por isso queria ver como a trama se desenvolveria. Minha primeira (boa) surpresa ao ter o livro em mãos foi perceber que ele tinha ilustrações de Maira Kalman representando os objetos dos quais Min está falando. A arte é muito legal, e o efeito que provoca ver o objeto e então ler o que Min tem a falar sobre ele acaba de certo modo reproduzindo a sensação que teríamos se fôssemos Ed, abrindo a caixa e vendo aos poucos aquelas recordações, revendo tudo o que passaram juntos nos poucos dias de namoro.

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O Homem Cordial (Sérgio Buarque de Holanda)

Aqui em São Paulo é comum encontrarmos crachás e guarda-chuvas sendo usados como guarda-lugares das mesas em praças de alimentação de shoppings e restaurantes, para que as pessoas consigam garantir um lugar para comer sem ter que ficar procurando e esperando com uma bandeja de almoço nas mãos. Provavelmente, essa prática se repete em outras cidades e situações, como quando um amigo guarda lugar para o outro em uma fila ou na cadeira ao lado em uma sala de cinema. Esse hábito nada correto, mas muito usado pelo brasileiro, pode até esbarrar nas leis, por exemplo, quando dois carros se chocam e os motoristas decidem atribuir a culpa àquele que tem seguro, ou ainda quando encontramos formas de não pagar um imposto ou conseguir algum benefício.

Os exemplos são muitos e provavelmente você já se deparou com alguma situação em que o nosso lado “malandro” ou o “jeitinho brasileiro” falou mais alto. Para Sérgio Buarque de Holanda, esse hábito do nosso povo é o que o torna um homem cordial, termo presente em um de seus ensaios. A palavra cordial, no entanto, nos leva para um lado mais polido, que não é o sentido que o autor quis atribuir, e ele mesmo se resguarda disso em seu texto. É fato que o brasileiro é conhecido por ser hospitaleiro, alegre e festeiro, mas não seriam tão conhecidos pela educação ou polidez, como os japoneses e outros povos. A palavra cordial, nesse caso, remete ao latim cordis, que significa coração. O homem cordial é, assim, alguém que age com o coração ao invés da razão.

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O Imperador (Conn Iggulden)

Eu sou amigo do Júlio César! Sim, estou falando do Júlio César o Imperador Romano. Infelizmente não usei uma máquina do tempo, tampouco sou o personagem da célebre canção do genial Raul Seixas “Eu Nasci a 10.000 Anos Atrás”, e não sou louco. Pelo menos não mais que a maioria  das pessoas. Eu me tornei amigo do famoso Imperador Romano pela prosa deliciosa do inglês Conn Iggulden.

Uma das vertentes literárias que mais me chamam a atenção é a chamada “Romance Histórico”. Se você acompanha esse blog, tem grandes chances de saber o que vem a ser o tal de Romance Histórico, mas se você ainda não sabe vamos lá: Chama-se Romance Histórico livros que utilizam fatos, personagens ou até mesmo locais reais, descritos e narrados com diálogos, ações, personagens e situações criadas pelo autor.

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Livros Pipoca

Imagine o cenário: semana de provas na faculdade, acumulada com a semana oficial de descascar o abacaxi no trabalho. Entre livros técnicos e clientes irritados, sua capacidade de concentração vai aos poucos se esvaindo. Nesses momentos, tudo que seu cérebro pede é sono e distração. Seu corpo pede cama, e no caminho para casa seu sonho é colocar os pés para cima e ligar a TV naquele programa bobinho e previsível para “não pensar”.

Mas há aqueles que prefiram um bom livro pipoca, daqueles que você devora sem perceber às mancheias. Livros muitas vezes caracterizados como “guilty pleasures”, livros de leitura mais prazerosa que instrutiva, um passatempo na sua melhor definição. São livros que normalmente vemos massacrados pelas mídias consideradas mais sérias.

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Contos Essenciais: Um túmulo para Boris Davidovitch (Danilo Kiš)

É comum dividir a literatura em duas partes, bastante distintas e distantes entre si: a ficção e a não-ficção. É claro que muitas vezes a ficção se aproveita de fatos reais. Fatos históricos, via de regra: quantos livros não contam sobre alguma coisa que não-aconteceu-mas-aconteceu em um determinado momento da história, tentando caracterizá-lo com o máximo de verossimilhança possível? Por vezes, também, a não-ficção acaba por incorporar a ficção em alguns momentos: nada mais natural do que mesmo o autor mais meticuloso não consiga reconstruir os eventos à perfeição e crie alguns fatos, deixando que sua imaginação e seu raciocínio lógico preencham os buracos que a pesquisa ou a memória não conseguem suprir.

Alguns autores, porém, dão um passo além na direção da misturar os dois âmbitos, e criam uma terceira coisa, a qual não se pode dizer que é ficção, mas que não se pode acreditar como realidade. Jorge Luís Borges era mestre nisso, como nos mostra sua História Universal da Infâmia. São inúmeras biografias de criminosos, que misturam fato e ficção, chegando a apontar as referências bibliográficas ao fim do livro. [Continue a ler o artigo ...]

Sweet as a bee – Não chega de saudade

O que o Aurélio diz sobre a saudade: lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s), coisa(s) distante(s) ou extinta(s). A Wikipedia complementa dizendo que é a palavra que mais aparece nas poesias de amor e nas músicas populares brasileiras. Faz sentido, é só pesquisar a palavra no Google e ver os resultados: sites com frases de saudade, poemas de saudade, imagens de saudade. A palavra é única, não existe em outra língua um termo que defina tão bem essa mistura de sentimentos de perda, distância, ausência e amor, e dizem que esclarecer seu significado para quem não a conhece não é uma tarefa das mais fáceis. Uma palavra tão celebrada que está no centro de toda trama artística brasileira, ou pelo menos em grande parte das músicas de duplas sertanejas que deixaram a roça para tentar o sucesso na cidade grande. A saudade, dolorosa ou não, como na arte, é um sentimento constante naquele que se afastou da família e amigos e vive longe deles. É mais ou menos o meu caso. [Continue a ler o artigo ...]