Escrito por Colaborador Meia Palavra em janeiro 31, 2010 – 9:10 am
Um livro interessante. Um retrato fragmentado da era em que vivemos. As peripécias de uma publicitária em busca do criador de um filme disseminado em partes na internet a leva de Londres a Tóquio à Rússia. Mafiosos, empresários, banqueiros, marketeiros, diretores de video-clipes, colecionadores de calculadoras, ex-membros da inteligência, otakus, programadores, vendedoras de chapéu, cada um tem sua parte nesse nosso mundo cada vez mais fragmentado e especializado. Mas quando todos tem, de repente, o mesmo objetivo, aí as coisas podem ficar perigosas.
Com um olho sempre aguçado para as novas tendências da tecnologia e da cultura desse novo século e um tato para a criação de personagens reais, William Gibson sempre faz suas leituras valerem à pena. Mas, para quem já leu a trilogia do Sprawl (Neuromancer, Count Zero, Mona Lisa Overdriva), obra-prima do autor e marco da ficção-científica, Reconhecimento de padrões se sai um livro menor. Primeiro pela ação ser transferida do futuro para o presente, restringindo o autor de expressar toda sua criatividade como fez quando criou o gênero do cyberpunk; e, segundo, justamente por não ser um livro de cyberpunk, faltam aqui as transgressões e a violência e aquela sensação única que seus outros livros passavam, de estar o leitor imerso em tramas sombrias, perigosas e metafísicas, onde não apenas a vida de seus personagens, mas a própria definição de realidade parecia estar em jogo.
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