Veredicto em Canudos, de Sándor Márai
fevereiro 18, 2010 – 10:47 pm
Entre 1896 e 1897 a jovem República dos Estados Unidos do Brasil enfrentou -de forma quase que anacrônica- os seguidores de Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido com Antônio Conselheiro. Na comunidade de Canudos, o conselheiro liderou centenas de homens e mulheres que buscavam a salvação de sua alma, e foram vistos pelo novo governo como uma ameaça a sua soberania. O resultado foi a Guerra de Canudos, que durou praticamente um ano e que, estima-se, matou cerca de 25 mil pessoas.
Enviado como correspondente do jornal ‘O Estado de São Paulo’, Euclides da Cunha acabou por fazer muito mais do que apenas escrever o que a obrigação profissional lhe impunha. Escreveu três monstruosos volumes ‘A terra’, ‘O homem’ e ‘A luta’, conjuntamente entitulados de ‘Os Sertões’, uma das maiores obras da literatura brasileira- seja em tamanho seja em importância.
Uma amizade extremamente profunda nascida na infância e entre dois homens extremamente diferentes é, repentinamente e sem explicação alguma, rompida. O lado que tomou a iniciativa da ruptura pode até ter seus motivos, mas são obscuros demais para que o outro os aceite, os entenda- e que deixe a amizade simplesmente morrer.
Está aí um livro que estou retirando da lista de atraso. O Rei do Inverno foi originalmente publicado em 1995, mas só ganhou tradução aqui no Brasil em 2001. Eu o ignorei solenemente desde os primeiros comentários, tinha cá minha birrinha pessoal contra bestsellers. Mas já vão aí quase 10 anos da publicação e as pessoas continuavam falando do livro, de como era legal, de como passava uma visão diferente das lendas sobre o Rei Artur e então ok, chegou o momento de deixar o preconceito de lado e peguei emprestado com meu tio para conferir.
Muitos aqui já devem ter notado que virtudes não dão bons livros (ao menos não sozinhas). As melhores histórias contém o lado vil, animal e decadente do ser humano e podem ser vistas como uma valorização de nossas imperfeições. É mais fácil nos identificarmos com o próximo através de seus defeitos , muitos deles ligados aos sete pecados capitais. Afinal, convenhamos, quem nunca cometeu um ato de Gula, Ira, Inveja, Orgulho, Avareza, Preguiça ou Luxúria?
Jeanne e Henri eram noivos. Ele porém decide deixá-la e ela, completamente transtornada, faz o impensável: derruba ácido sobre os olhos e a face de seu amado- para que ele nunca a abandone. Ele sobrevive terrivelmente deformado e angustiado, entregue à misantropia, enquanto espera que ela lhe faça uma visita para um último beijo.
Quando li Macunaíma pela primeira vez, acho que estava nas mesmas condições de temperatura e pressão (hehe) que muita gente que leu Macunaíma pela primeira (e única) vez. Estudante perto do vestibular, com literatura brasileira enfiada goela abaixo e portanto um leve preconceito sobre algo que não me permitiam conhecer sozinha, no meu tempo. Conclusão? Achei um saco. Só parei de torcer o nariz para o nome de Mario de Andrade depois de conhecer a brilhante coletânea de crônicas chamada Os Filhos da Candinha (fica a sugestão aí).







