27 de janeiro de 2012

Destaques:

Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01)

Recentemente, Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro volume da trilogia Millenium, de Stieg… [more]

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Filmes adaptados de livros que chegam em 2012 (Segunda Parte)

Semana passada comentei sobre alguns filmes adaptados de livros que chegarão aos cinemas brasileiros… [more]

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Edgar Allan Poe

Com o escritor norte-americano Edgar Allan Poe é melhor começar ali pelo fim, que é ironicamente tão… [more]

Edgar Allan Poe Edgar Allan Poe

Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán)

Eis que inauguro uma nova série de posts aqui no Meia Palavra: os contos essenciais. Não acredito que… [more]

Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán) Contos essenciais Meia Palavra: Pruebas irrefutables de vida inteligente en otros planetas (Rodrigo Fresán)

Links e Notícias da Semana #73

Meia Palavra entra pro mundo hipster e posta foto de bolo + filtro + livros de bolo (mentira, pegamos de um usuário do instagram)

Direto da paulicéia de Noé e seus dilúvios, abrimos mais alguns links e notícias da semana, a começar não por literatura, mas pelo cinema: a Academia mostrou seus polêmicos indicados ao Oscar 2012. Em resumo, muitos filmes e muitos roteiros adaptados, na verdade cinco, alguns baseados em livros que a Anica citou nesses (um, dois) posts rechonchudos. Lá no Judão, resenha dos indicados Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, que a Dindii resenhou aqui hoje também, e Os Descendentes.

Se todo prêmio é um Oscar de alguma coisa, o Oscar é o Oscar do cinema e gera discussões pelos 20 filmes imperdoavelmente esquecidos pelo careca dourado. Só que mais arrebatador do que uma boa argumentação sobre obras de artes, blockbusters de verão e velhinhos judeus reacionários, os fãs e detratores do Super Bowl se arrepiaram, não de medo e nem de frio, com um misterioso teaser com o ator Matthew Broderick revivendo o personagem de Ferris Bueller, do jovem clássico de quase 30 anos, Curtindo a vida adoidado. Vem sequência ou não rola nem um touchdown?

Já na literatura, veja os finalistas do National Book Critics Circle Award e trechos das obras indicadas. Não é premiação, mas é mais badalado que perestroika, a Flip pode trazer os fundadores do Google, enquanto isso não se afirma, vamos a confirmação de Greenblatt no evento.

Os donos dos direitos de imagem do cãozinho Totó não gostaram nem um pouco que um dos fundadores da Cosac Naify usou o nome em vão, mas vale a pena uma lida na história de vida do ex-rapaz, agora homem formado: um personagem à procura de seus autores. Easy come, easy go: Ler ficção aumenta a “inteligência emocional” e o salário?. Mandão quem manda, esperto quem ignora, mas uma nova ordem no mercado editorial brasileiro surge. ‘Vamos arrebentar no mercado externo’, afirma Luciana Villas-Boas. Editoras deixam de vender 10% dos títulos porque eles estão esgotados. Pode vir quente que eu já achei a mangueira, porque as livrarias brasileiras mantêm planos de expansão física.

Na língua-mãe de Shakespeare, 25 Things I Learned From Opening a Bookstore, e falando no bardo, 10 Shakespeare Quotes you Use Every Day. The best for last: Vladimir Putin plans 100-book Russian canon all students must read.

Lista da semana: 10 Escritores que preferem não usar computadores para escrever.

Entrevista com o dono da Poesia Incompleta, a única livraria de Portugal dedicada exclusivamente a livros de poesia. O escritor argentino Ricardo Piglia volta a publicar trechos de seu diário no jornal El País. Ainda no país coirmão, nova edição da correspondência de Julio Cortázar incluí mais de 1000 novas cartas.

Leitores do Meia Palavra, respondam: Os blogs literários são realmente importantes? 15 Questões BANIDAS nas entrevistas para a Google.

A cidade de São Paulo retratada por quadrinistasCyril Pedrosa abre seus carnets e mostra desenhos sobre o Brasil em seu blog. Revista Café Espacial disputa principal prêmio francês de quadrinhos. No Festival de Angoulême, autores e amadores participaram das 24 horas de HQ.

Companhia das Letras faz vídeo comentando os lançamentos infantojuvenis do primeiro semestre de 2012.

Lançamentos da Companhia das Letras:

Estrada escura, de Dennis Lehane (Tradução de Fernanda Abreu)
A ponte invisível, de Julie Orringer (Tradução de Rubens Figueiredo)
Infiel, de Ayaan Hirsi Ali (Nova edição econômica; Tradução de Luiz A. de Araújo)
A gênese da sociedade do espetáculo, de Christophe Charle (Tradução de Hildegard Feist)
A vida está em outro lugar, de Milan Kundera (Tradução de Denise Rangé Barreto)

Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 02)

Fazer adaptação de um livro não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata de uma narrativa volumosa que precisa ser condensada em, no máximo, duas horas de imagens e, em um ou outro caso excepcional, em mais tempo do que isso. Nesse sentido, tanto a versão cinematográfica sueca quanto a norte-americana de Os homens que não amavam as mulheres são exemplos de filmes que ultrapassaram esse padrão de longa-metragem, com cerca de 2h30 de duração. Justificável, levando em conta que o livro adaptado tem mais de 500 páginas e um grande mistério envolvendo toda a família Vanger a ser solucionado: o assassinato de Harriet, há 40 anos. Além disso, a vida dos personagens Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander é exposta entre a busca pelas respostas.

Mesmo assim, alguns trechos ficam de fora de ambos os filmes, e muitas cenas que no livro ganham várias páginas de história e explicação passam em alguns segundos diante dos nossos olhos nas telas. Além disso, soluções rápidas para situações mais complexas também não faltam. Ou seja, Os homens que não amavam as mulheres, em ambas as versões, têm os mesmos problemas que a grande maioria das adaptações possuem e que tanto desagradam os fãs que conheceram a história pelo livro. [Continue a ler o artigo ...]

Solanin 2 (Inio Asano)

Admito que meu conhecimento sobre o mangá é praticamente nulo, tendo uma visão relacionado ao gênero pelo desenho Dragon Ball, o que talvez tenha contribuído para um preconceito sobre os quadrinhos japoneses. Porém, a rica literatura japonesa criou uma curiosidade natural em mim, e me levou a leitura de Solanin 2, de Inio Asano, lançado pela editora L&PM.

A primeira impressão foi de espanto, motivada especialmente pelo meu desconhecimento, já que a leitura se dá no sentido contrário das páginas – da esquerda para a direita. Algo natural para os fãs de mangá, mas que me causou certa estranheza no início, com algumas confusões na ordem dos quadros e páginas – algo similar ao que deve acontecer se dirigir um carro em alguma cidade inglesa, em que a direção fica do lado esquerdo.

Assim que estabeleci um ritmo de leitura, a dificuldade com a ordem natural das coisas foi superada e eu pude voltar minha atenção para a história criada por Inio Asano. Solanin 2 é a continuação do primeiro volume da série – também lançado pela L&PM – que conta a história do casal Meiko e Taneda na busca por seus sonhos de música e liberdade enfrentando as dificuldades da vida adulta. [Continue a ler o artigo ...]

O Enteado (Juan José Saer)

É um livrinho fino, mas difícil, e mais de uma vez pensei em abandoná-lo pelo que contém de lentidão, de descrição minuciosa e obsessiva. De alguma forma, porém, eu podia perceber (e confirmaria depois) que o recurso às descrições era proposital. Quando se punha a descrever a vegetação, o clima, as menores particularidades do dia ou da noite (o modo como o sol se deslocava no céu, por exemplo), e quando tornava a narrativa, por causa desta descrição exacerbada (mas bela e poética) algo quase insuportável, era isto mesmo que Juan José Saer buscava fazer em O Enteado: tornar irreal um mundo absolutamente real e concreto, um mundo de areia, vegetação, rio.

Prolongando esta sensação de irrealidade ao longo da primeira metade do livro, Saer consegue transmitir ao leitor com inegável exatidão (se é que se pode falar em exatidão quando se fala em irrealidade) a experiência dos dez anos que o narrador, um europeu, um civilizado, passou entre os índios Colastiné. Como talvez gostem de dizer os especialistas, o livro tem vários níveis interpretativos. Pode-se dizer, por exemplo, que é uma elegante denúncia dos equívocos da colonização, ou que é uma crítica à arrogância dos autoproclamados cultos ou civilizados. Não me detenho em nenhuma destas interpretações, nem estou particularmente interessado em descobrir que motivos animaram Saer a escrever sua história. Estou interessado, isso sim, na irrealidade de O Enteado. Porque sempre que eu fechava o livro, depois de lê-lo com vagar, como convém a esse tipo de leitura, eu olhava para o mundo ao meu redor com uma sensação de estranhamento. E, de modo igualmente inquietante, sempre que eu o abria e retomava a leitura, e avançava por quatro, cinco, seis linhas, sentia como se estivesse deixando o mundo para trás e atravessando uma porta que me levasse diretamente aos Colastiné.

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Especial – Os homens que não amavam as mulheres (Parte 01)

Recentemente, Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro volume da trilogia Millenium, de Stieg Larsson, ganhou uma versão cinematográfica norte-americana com a direção do aclamado David Fincher (Clube da Luta, A Rede Social). O filme foi lançado há algumas semanas nos Estados Unidos, e estreia oficialmente amanhã nos cinemas brasileiros. Além dessa adaptação, o thriller já contava com uma versão sueca, do diretor Niels Arden Oplev.  Inclusive, em seu país de origem, a trilogia Millenium inteira já invadiu as telas dos cinemas com adaptações dos títulos A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Com isso, vale lembrar que o livro foi publicado pela primeira vez em 2005, e desde então teve grande repercussão ao redor do mundo, seja pela temática de violência contra a mulher ou pela estruturação do material. Agora, com essas recentes adaptações no cinema, ganhou ainda mais os olhos do grande público e crítica.

São muitas pessoas esperando pela estreia do filme e procurando se informar sobre a versão sueca, a norte-americana e a história escrita. Minha ideia com esse especial é apresentar alguns elementos do que considerei interessante em cada uma das obras que li e assisti, e levantar algumas questões sobre mercado e estrutura das narrativas. No post de hoje, o foco será voltado para o livro. No de amanhã, falarei um pouco sobre os filmes.

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Once There Was a War (John Steinbeck)

No ano de 1943, John Steinbeck atuou como correspondente de guerra do jornal The New Herald Tribune, vivendo com as tropas estadunidenses na Europa e presenciando a série de movimentos, investidas e contra-investidas dos soldados no intenso teatro de operações que era o velho continente. O “esforço de guerra” já havia mobilizado o autor, que escrevera em 1942 o bizarro Bombs Away, obra de propaganda que parecia ir contra uma série de princípios que ele defendera ao longo de toda a década de 1930 (e que espero ter conseguido esclarecer na resenha que publiquei aqui no Meia há algum tempo).

Usando de artigos curtos, que se assemelham mais a anotações em um diário do que propriamente textos que exploram a fundo determinadas temáticas ou eventos, Steinbeck consegue atingir pontos bem mais altos em Once There Was a War (cuja tradução talvez fosse “Havia uma vez uma guerra” ou “Era uma vez uma guerra”), coletânea dos artigos produzidos no calor da refrega, em 1943, cuja publicação em conjunto data de 1958. Alguns dos textos são fragmentos de diário, contando inclusive com local e data, e outros possuem títulos que versam sobre detalhes aparentemente banais do cotidiano da guerra, mas que alcançam expressividade na prosa do autor.

Ao contrário de Bombs Away, o livro de 1958 não pretendeu ser propaganda, nem usa do tom afetado e exacerbadamente patriótico. Steinbeck prezou pelo estilo que adotou na abordagem de suas obras da década de 30, com a diferença de que, apesar do flerte com ambos os lados da fronteira, Steinbeck produzia ali mais jornalismo do que literatura. São textos informativos nos quais a verve literária entra como bônus.

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Orlando (Virginia Woolf)

Virginia Woolf gostava de mulheres e o grande amor de sua vida foi Vita Sackville-West,  também escritora, mas não tão famosa quanto ela. Vita era uma mulher muito moderna para a época, viveu muitos casos de amor, gostava de viagens e tinha uma desenvoltura natural para lidar com a sua vida e todos os seus desejos. Virginia Woolf, por outro lado, era mais contida, porém, sempre soube muito bem o que queria em relação aos relacionamentos que teve. Isso, talvez, explique seu amor por Leonard Woolf, que ficou imortalizado na sua carta suicida: “ninguém poderia ter sido mais felizes do que fomos”. Ou seja: não há por que acharmos que Virginia Woolf amou menos Leonard, ou Vita, ou outras e outros, ela sabia separar, quantificar e retribuir os amores que teve.

Escrevo sobre Vita porque o livro Orlando foi um presente que Virginia ofereceu a ela. Orlando é Vita, e pode representar a revolução do ser humano e também a necessidade de adequação social, pois é a história de uma pessoa que vive mais de 200 anos, não é vampiro ou coisa assim, é apenas um indivíduo evoluindo e moldando-se de acordo com o ambiente em que vive de uma forma muito natural. [Continue a ler o artigo ...]